Ambientalistas acusam governo de ser mentiroso

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por MIRIAM PAÇO

 

Em um clima aparentemente tranquilo na noite da última quinta-feira (21) no Riocentro, a ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, falava da eficiência da implementação do desenvolvimento sustentável no Brasil, como o Programa de Áreas Protegidas da Amazônia, quando foi interrompida pelo ativista Pedro Piccolo. Imediatamente, seguranças foram chamados e, enquanto o público da plenária tentava calar o manifestante, Pedro acusava o governo brasileiro de ser mentiroso.

“Tudo que está sendo dito nessa mesa é um monte de mentiras. Não estamos felizes com a forma como o desenvolvimento sustentável está sendo feito no Brasil. Organizamos na segunda-feira o movimento Marcha Ré, porque esse governo está andando na marcha ré do desenvolvimento sustentável”, criticou Pedro Piccolo, do Comitê Universitário em Defesa das Florestas do Distrito Federal, em meio às vaias de governistas e aplausos da sociedade civil.

 

A confusão começou quando o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ressaltou a preocupação do banco com a sustentabilidade e a intenção de se tornar exemplar nessa área. Assim que começou a falar, panfletos de protesto foram erguidos pelos ambientalistas. Fingindo não perceber a movimentação, mas visivelmente abalado, chegando a gaguejar em um determinado momento, Luciano Coutinho continuou elogiando os avanços do Brasil na área de sustentabilidade. Na última quarta-feira, durante a mobilização no Centro do Rio, realizada por membros de diferentes movimentos sociais, o banco já tinha sido criticado por financiar projetos que estariam causando impactos ambientais e sociais graves.

“O governo braleiro está tentando passar uma mensagem internacional de que, em termos de política ambiental, estamos indo bem, mas isso não é verdade. Eu não vim com nada planejado, mas não aguentei ouvir tanta mentira. É impossível ouvir o presidente do BNDES dizer que se preocupa com sustentabilidade, calado, como se concordasse com isso”, explicou Pedro Piccolo.

O clima esquentou ainda mais quando Maíra Irigaray, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, criticou a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte e a falta de diálogo com o governo brasileiro. “Tudo que está sendo dito aqui é besteira”, disparou a ambientalista em frente a Isabella Teixeira, que tentava tomar a palavra de volta. “Se o país fosse mentiroso, ele não teria a menor taxa de desmatamento de toda a história. E esse esforço é graças ao trabalho de todos. Eu não aceito que seja dito que não há democracia neste país. Todas as críticas positivas e negativas são bem vindas. Se temos problemas, vamos corrigir”, defendeu a ministra.

Sobre a construção de Belo Monte, Isabella lembrou que o licenciamento foi feito no governo do ex-ministro Carlos Minc e que, mesmo assim, tem se reunido com indígenas para resolver o que estiver errado. Além do desmatamento, Maíra apontou também o aumento da taxa de violência. “Estamos tentando ter um diálogo aberto com o governo há tempos sobre a construção de Belo Monte e o retrocesso do Código Florestal. Inúmeras vezes fomos com lideranças tentar encontrar com os ministros e a presidente, mas ela se recusa a nos receber. As obras avançam sem nenhum monitoramento”, explicou a ambientalista.

Isabella Teixeira e Luciano Coutinho estiveram no Riocentro para apresentar as novas iniciativas do governo resultantes da Rio+20. Segundo a ministra, o fundo amazônico passará a dirigir recursos para a proteção de toda a Amazônia e não apenas para a área brasileira. Durante o encontro, o Brasil também foi usado como exemplo por ter resolvido os problemas ambientais, apresentando a menor taxa de desmatamento na Amazônia desde 1988.

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